segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diga-me quem comenta e te mandarei a conta com os honorários.

Pra uma lei virar lei no Brasil, o caminho é comprido e complicado.

E daí?, você pode pensar;
e daí muita coisa.

E daí que dessa burocracia resulta o atraso, muitas vezes, em agilizar soluções que favoreçam o desenvolvimento do país, nos níveis social, financeiro, político e por que não, informacional.

E daí que, nesse vai-vem-e-volta dos projetos de lei até serem sancionados pelo señor presidente, ficamos nós aqui, sem saber o que se passa, ou se quer passar, na legislação brasileña. Ficamos à margem desses trâmites por dois fatores distintos, mas interrelacionados, que se ajudam num mutualismo de exílio: a não-cobertura-contínua (que a gente saiba) da mídia sobre os projetos de lei em andamento, e sobretudo, pela nossa falta de interesse sobre o tema (justamente por achar que não nos interessa de todo modo; pobres nós, que se quiséssemos poderíamos até criar as tão distantes leis).

Afinal, quem é que lê o Diário Oficial?
Deveriam.

Por exemplo, olha o Deputado Gerson Peres (PP/PA).
Jogou para aprovação um projeto de lei que, resumindo, faria com que
se algum anônimo fizesse um comentário calunioso em "blogues, fóruns e mecanismos similares de publicação na internet", o dono do blog é que responderia por isso.
Claro, pq se foi anônimo, não tem como saber quem fez.
É mes amis, e aí meteriam-te o processo.
Golpe mortal: a multa? Bagatela que, num bom ribeirês, vareia entre dois e dez mil reais. 2- 10, pq ou é 8 ou 80. Ah, e que se for reincidida, duplica. Feito mágica.
Ah, e fora que teríamos que deixar registrados RG/CPF em cada comentário que quiséssemos fazer.
(Leia essa beleza de projeto na íntegra).

Gerson "talvez não saiba, mas seu" problema está em desconhecimento.
Não que a internet seja um campo descontrolado, livre e de qualquer um dizer o que quiser sem conseqüências; tanto que o Marco Civil taí.
Primeiro que ele já misturou blog com fórum, que, apesar de estarem num mesmo patamar de discussão, não são a mesma coisa, definitivamente.
Segundo que já existem mecanismos nas plataformas de blog, aqui mesmo no Blogger por exemplo, que permitem ao usuário moderar seus comentários.

Não precisa esse frisson, essa coisa de instituir legalmente.
Precisa é uma aula de bom senso.

Ai que isso me deu nos nervos.

Outras discussões acerca de:

- Projeto de Lei sobre Blogs




E se vcs não comentarem, processo.

#PARTIU

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os muitos trânsitos de Belém

Nossa turma de jornalismo tem como incumbência realizar posts programados e sobre assuntos pré-determinados através de discussões entre os alunos e a Profª Mariane Maranhão (agenda setting? newsmaking? gatekeeper?).

O primeiro deles foi sobre TRÂNSITO.

Só isso, escrever sobre trânsito. E assim o fizemos nós. E é engraçado ver como um comando simples pode gerar textos sobre a mesma coisa sim, mas com abordagens bastante diferentes.

A Bianca Teixeira, por exemplo, destacou o descaso do poder público com relação aos problemas do trânsito de Belém, além do descumprimento das decisões judiciais que são impostas à ele; na verdade, não é nem descumprimento, é deixar pra fazer quando não tiver mais jeito. Enquanto der pra empurrar com a barriga, vamos lá.

Já a Nai Gaby e a Melina Marcelino (que parece ir em direção a uma disputa de mangas com a Catarina), em posts tão bem-humorados, enumeraram as gigantes e (parece) intermináveis dificuldades de se trafegar em Belém, coisa que exige paciência (principalmente) e muita boa vontade.

A Nai lembrou, inclusive, de uma iniciativa muito bacana que temos aqui em Belém (como há em outras cidades brasileiras também), o twitter do @belemtransito . O perfil tuiteiro, criado pelo Paolelli (e que já foi até reportagem de jornais impressos aqui de Belém), é uma mão na roda pra quem tem como acessá-lo de qualquer lugar da cidade e quiser saber as melhores vias para circulação.

E ainda o eficiente post do Paulo, que adicionou um vídeo muito objetivo sobre o trânsito da cidade. Em menos de dois minutos dá pra ver a maravilha que é dirigir por aqui...


Não sei se podemos considerar como uma característica "especial", mas em praticamente todos os posts da turma há a questão da chuva como agravante do caos no tráfego.

Eu até concordo que esses aguaceiros que caem diariamente por aqui contribuem de uma forma elevada à enésima potência pra que o trânsito se complique, mas coitados gente, eles não têm culpa se a cidade tem bueiros/canais/vias de escoamento entupidas e carros demais para o mesmo asfalto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vias.

Quinze quilômetros* em vinte minutos é sublime. Sem chuva, sem engarrafamento, sem buzinas, sem stress, sem nada, só tu, teu carro (é carro, pq quinze quilômetros em vinte minutos de ônibus é ilusão), o ar condicionado, o som e os amigos embreagem, freio e acelerador (ou não, se for um automático). Ah, e os amigos caronas também (é, pq pegar carona é uma arte. Tu tem que ter a manha de querer sem pedir, e conseguir sem se humilhar dizendo que posteriormente pagará lanches, tickets de estacionamento, cigarros, vaquinha pra gasolina [que são outra farsa!], e etc. Estudar no campus da BR é um bom workshop pra desenvolver essa habilidade; mas isso é outra história).

Quinze quilômetros em trinta minutos é até aceitável. Passa rapidinho, tu vai ouvindo uma música (cantando, pq não?), sei lá, até mesmo conversando com o(s) carona(s) no carro (essa[s] conversa[s] não existe[m], é claro, se tu tiver no ônibus, especialmente naqueles nos quais sobem umas pessoas que te juro, não sei pq – NÃO SEI MESMO – pegam seus celulares ultramodernos com rádio FM/mp3 player e ligam naquele bregoso esperto, ou naqueles louvores fervorosos – nada contra – pro ônibus inteiro escutar. Fone de ouvido? Doce ilusão tecnológica. Fora as vezes quando o motorista resolve, pra mostrar quem é que manda, aumentar o “sistema de som” (HAHAHAHA) do próprio ônibus, geralmente tocando Roberto Carlos, se for de manhã cedo. Aham, vai, tenta conversar no meio disso, num nível audível e – vejam bem, E – saudável pras tuas pregas vocais. Eu d-u-v-i-d-o. Mas isso é outra história).


Quinze quilômetros em quarenta e cinco minutos, com uma chuva gostosa e leve, é até compreensível. Tu, paraense esperto que és, sabe que vai chover. Sabe que do centro pra lá de Ananindeua vai tá engarrafado. Vais na manha, não te afobarás. Chega uns 10 minutos atrasado na aula, mas tudo bem, o professor ainda nem entrou – ou tá fumando lá fora, ou tá ali lendo, ou tá na sala dos professores, ou descuidou da hora, ou tá resolvendo problemas de orientandos malucos e atrasados (não necessariamente as duas coisas num orientando só), ou tá tomando um café, ou etc etc etc (sim, professores também têm problemas, também não tão a fim de dar aula as vezes – dependendo da turma, quase sempr... OPA. Mas isso é outra história).


Quinze quilômetros em sessenta minutos é uma provação. E olha que to considerando como referencial a perspectiva de quem fica esse tempo todo dentro de um carro, com ar condicionado, um monte de gente pra falar contigo, pra rir das coisas próprias e alheias, e em condições de existência relativamente confortáveis. Exceto pelos caronas – TAKING A RIDE LOVERS, na minha classificação pessoal - que às vezes precisam se amontoar no banco de trás, afinal, onde cabem 3 cabem 6, não é? (“A Fulana é tão magrinha!” – ela pode pesar 90 quilos que sempre será magrinha e caberá no carro, pq por mais apertado que esteja, o carona sempre pensa “eu podia tá num ônibus lotado com 50 mil pessoas desconhecidas se esfregando [inocentemente] em mim, num calor desértico, ouvindo uma música que escolheram por mim e o pior de tudo, em pé. Tô ótimo”. Mas isso é outra história).


Quinze quilômetros em sessenta minutos, com uma chuva daquelas de arca de Noé, sozinho, é um martírio. Não existem mais estações de rádio que tu não conheças, tu já pensou em tudo que quer fazer da vida, o cd já repetiu tanto que te dá enjôo, tu é universitário e não tem DVD no carro (ah não ser que... Ah, deixa pra lá. Hehehehe), teu pé já tá doendo de tanto pisar na embreagem (se for mulher então, pior ainda – piadinha infame), tu começa a querer buzinar depois de ficar parado no mesmo lugar por mais de 8 minutos (o que tu certamentes farás, mas que não vai mudar em nada tua condição de parado no mesmo lugar por mais de 8, agora 9, minutos). Eu poderia fazer mais umas trocentas categorias pra esse parágrafo, tipo q.q.s.m. (quinze quilômetros em sessenta minutos) com chuva e de fossa, q.q.s.m. com chuva e saindo de casa 18:15h (pra uma aula que começa 18:50h...), q.q.s.m. com chuva e pouca gasolina, q.q.s.m. com chuva e um trabalho pra entregar no dia que tu ainda precisa finalizar e imprimir, q.q.s.m. sem chuva e... Opa, sem chuva não dá sessenta minutos. Mas isso é outra história.


Quinze quilômetros com chuva em mais de sessenta minutos é só desencargo de consciência. Tu vai, dá dois reais pra enriquecer os senhores do estacionamento, diz ‘PRESENTE’, às vezes lancha e vai embora.


E olha que eu até gosto de dirigir.



*Média racionalmente aleatória, que eu calculei como do centro de Belém (Avenida Nazaré à altura da TV Liberal) à Unama BR, percorrida de carro.